Num desses discursos de agradecimento dos paraninfos, um deles chamou mais a atenção de Sara. Foi o daquele professor homenageado que - apesar de parecer querer se desculpar pela falta de modéstia - procurou uma forma de encaixar em suas falas, o tênue e contraditório manifesto de incutir em todos a infeliz e errônea idéia de que a melhor de todas as profissões seria exatamente aquela, ou seja, a de Arquitetura. Para a mulher, esperta que era, que não perdia uma só fala dos discursos, aquilo lhe veio como um contra-senso dos piores. Pois, ele, na posição de professor - pensava a mulher - deveria saber que para ser um arquiteto ou ter qualquer outra profissão, precisaria, antes, passar obrigatoriamente pelas mãos de um profissional em educação como ele assim o era, ou que pelo menos, demonstrava ser. Deveria saber, ainda, que um país desenvolvido e bem estruturado nas esferas socioeconômica e educacional somente é alcançado mediante o sério compromisso dos políticos investir recursos na Educação, a fim de se construir cidadão com formação adequada. Pobre professor! Esqueceu-se que o ‘canto’ é a melhor dentre todas elas.
Schopenhauer tinha razão em defender as artes e colocar em primeiro escalão, entre todas, a música. O cantor leva o lazer, o sonho às grandes platéias, além de se divertir com aquilo que está fazendo. E, ainda assim, é altamente reconhecido financeiramente por seu trabalho, sem se esquecer de que ele foi educado por um professor. Infeliz professor! Mal sabia que ele viraria assunto novo e pejorativo para as duas inseparáveis amigas pelo resto do ano ...
01:42 - 04/06/2006
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