Enquanto um manobrava o carro daqui e outro dali no estacionamento do chamado ‘Moinho’, todos iam se ajeitando da melhor forma naquele espaço de grande porte. Lugar este que fora escolhido pelos organizadores do evento porque estava condizente, à altura dos formandos. Pois, ali havia sido, séculos atrás, talvez dezoito, um rico engenho de moinho de trigo onde a arquitetura ainda era enaltecida com sua grande suntuosidade e formosura. Como fora projetado pelos dominadores, exploradores estrangeiros do então território, era um lugar digno dos reis, dos ‘coronéis’, por que não dizer ... de homens que não se importavam e que nada queriam saber da realidade social e econômica dos nativos desse território chamado Brasil ?! Pois, os colonizados, os chamados menos privilegiados - o que é a maioria - injustamente ficarão apenas, quando muito, com o sofrido pão amassado. São pessoas subjugadas e tratadas, desde a colonização como animais irracionais, assim como cães. Tolamente os donos do país, os colonizadores, pensam que os mesmos pertencem à camada inferior e que não são capazes de absolutamente nada. Porém, esquecem ou fingem não saber que não lhes fora oferecida a mesma oportunidade. É fato que, basta lhes dar a oportunidade devida, a qual lhes é de direito, para saber que são tão bons ou até melhores do que muitos deles. Ao entrar pelas duas grandes aberturas que insinuavam ser portas, com várias tiras brancas, finas, suspensas do teto ao chão, com a intenção de enaltecer o rústico, todos foram se acomodando nas cadeiras revestidas por um pano branco, parecendo uma espécie de capa. A cerimônia não fugiu aos padrões, parecia existir um pacto fixado de se fazer formatura entre os organizadores. Pois, a pauta se restringiu especificamente a homenagens aos professores e agradecimentos pela participação dos convidados e dos pais. Além disso, houve músicas ao vivo, muitas fotos, filmagens e, claro, muito discurso. (CONTINUA)
01:32 - 07/05/2006
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